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PODEMOS FALAR EM ESTÁGIOS DO LUTO?
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Se você recorrer a um buscador na internet para saber quais as fases do luto, na tentativa de aferir se o seu (ou o de alguém, que esteja acompanhando) está dentro de uma evolução esperada, provavelmente se deparará com o trabalho da psiquiatra suíço-americana Elisabeth Kübler-Ross, pioneira em estudos sobre o tema e cuja abordagem está amplamente replicada no ambiente virtual, ainda que seu trabalho pioneiro sobre esses estágios tenha sido publicado em 1969 (há mais de meio século), no livro Sobre a Morte e o Morrer, e que de lá para cá, muitas lágrimas tenham rolado debaixo dessa ponte.

 

Resumindo, Kübler-Ross divide o luto em cindo estágios: (1) negação e isolamento, (2) raiva, (3) barganha, (4) depressão, (5) aceitação. Não se identificou? Seu luto não possou por todas essas fases, sequer seguiu essa ordem? Não se preocupe por isso: hoje a abordagem é muito diferente desta.

 

A psicóloga Dra. Maria Helena Pereira Franco, autoridade nacional no tema, destaca em seu trabalho “Luto em Cuidados Paliativos”, que viver o luto significa:

 

  • aceitar a realidade da perda
  • enfrentar as emoções do pesar
  • adaptar-se à vida sem a pessoa
  • encontrar maneiras adequadas para lembrar o falecido
  • reconstruir a fé e os sistemas filosóficos abalados pela perda
  • reconstruir a identidade e a vida

 

Não é uma trilha, um passo a passo, e sim um processo que envolve sentimentos, pensamentos e ações, às vezes concomitantes, às vezes subsequentes, às vezes até mesmo conflitantes, pelos quais a morte impacta e ressignifica a vida do enlutado.

 

O acesso à informação de qualidade colabora para as pessoas enlutadas se entenderem, se organizarem melhor internamente e, até mesmo, a procurarem ajuda quando o seu luto se complica (trataremos desse deste tema adiante). O luto é uma experiência emocional profunda e individual, definida pelo modo único de cada pessoa em lidar com cada uma de suas perdas.